"Ronco faz mal ao coração?" é uma daquelas perguntas que a resposta certa é: depende. O ronco em si, isolado, costuma ser mais um incômodo para quem dorme ao lado do que um risco. O problema aparece quando o ronco é a ponta de um iceberg chamado apneia do sono — e é aí que o coração entra na conversa.
Nem todo ronco é igual
Existe o ronco simples: aquele barulho causado pela vibração dos tecidos da garganta quando o ar passa apertado, mas sem que a respiração pare. Incomoda, atrapalha o parceiro, mas em geral não representa risco maior para a saúde. E existe o ronco que vem acompanhado de pausas na respiração — a apneia do sono. Esse é diferente, e é o que preocupa o cardiologista.
Como a apneia sobrecarrega o coração
Na apneia, a respiração para várias vezes por noite e o nível de oxigênio no sangue cai repetidamente. A cada pausa, o corpo dá um "alerta" de estresse: libera hormônios, acelera o coração e aumenta a pressão para forçar a volta da respiração. Isso se repete noite após noite, ano após ano. Com o tempo, essa sobrecarga está associada a pressão alta, arritmias e maior risco de problemas cardíacos. Ou seja: não é o barulho que faz mal ao coração, são as pausas e as quedas de oxigênio por trás dele.
Sinais de que o ronco pode ser mais que ronco
Vale acender o alerta quando o ronco alto vem junto de: pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado, engasgos ou "sustos" no meio da noite, sonolência forte durante o dia mesmo dormindo o suficiente, dor de cabeça ao acordar e pressão alta de difícil controle. Quanto mais desses sinais, maior a chance de haver apneia por trás — e mais motivo para investigar.
O que fazer
Se o seu caso parece ser de ronco simples, dá para reduzir bastante com mudanças de hábito: evitar álcool à noite, não dormir de costas, cuidar do peso, tratar a congestão nasal e favorecer a respiração pelo nariz. Essas medidas melhoram o ronco e o descanso de todo mundo na casa.
Agora, se há sinais de apneia, o caminho não é tentar resolver sozinho: é procurar um médico e fazer um exame do sono. A apneia tem tratamento eficaz (como o CPAP), e tratá-la protege justamente o coração. Encarar o ronco com apneia como "coisa boba" é o que realmente cobra caro lá na frente.
Resumindo
Ronco sozinho, na maioria das vezes, não é um perigo para o coração — é chato, mas administrável. O que faz diferença é identificar se junto do ronco existem pausas na respiração. Se existirem, aí sim vale levar a sério e procurar avaliação, porque é a apneia, e não o barulho, que pesa sobre o coração.
Quem tem mais risco
Alguns perfis têm mais chance de que o ronco venha acompanhado de apneia — e, portanto, mais motivo para investigar. Pesam a favor do risco: excesso de peso, principalmente com acúmulo na região do pescoço; ser homem; idade mais avançada; pescoço largo; histórico de apneia na família; e obstrução crônica no nariz. Pressão alta que não responde bem ao tratamento também é uma pista importante, porque apneia e hipertensão costumam andar juntas. Se você se encaixa em vários desses e ronca alto, vale levantar a hipótese com um médico.
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Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. A Fita Bucal Mordaça não trata apneia do sono nem substitui tratamento. Se você ronca alto, tem pausas na respiração enquanto dorme ou sente muita sonolência durante o dia, procure um médico.

